segunda-feira, 6 de setembro de 2010

que meus versos embalem teu sono.
pois meus braços não são compridos o suficiente.
e que a noite abrace seu corpo,
cubra seus pés. seus delicados e pequenos pés.

se sinto falta? claro que sinto.
mas, mais do que isso.
sinto muito, por não estar aí.

quem é ela? onde é aí?
é longe, é perto.
é como uma certeza,
de um futuro incerto.
não vamos falar de partida.
queremos evitar a despedida.
queremos o obscuro,
a vagueza perdida.

que voemos por ventos velozes,
às várzeas, aos vales,
veremos o vazio,
ser preenchido por tudo que sentimos um pelo outro.

a aliteração do verso anterior,
não supera a assonância do zumbido do meu coração.
elas voltaram aos meus dedos,
justo quando mais senti falta de uma companhia.
não posso carregá-las comigo,
pois a saudade é um fardo enorme.

prefiro expulsá-las com vigor,
para que fique registrado.
para que a noite não pareça tão longa,
e o sol não me encontre acordado.

e eu temo não expressar tudo.
afinal, o todo é feito de duas metades.
é uma enchente de sensações.
cada lembrança, um poema diferente.
cada palavra, um verso que me vem à mente.

a risada, o silêncio, o sorriso.
a falta de rima, alimenta a escrita,
de um tempo bom.

como se escrevesse minhas memórias,
passo o tempo que sobra,
antes de ter que começar de volta.

sobretudo,
sobre tudo,
que sobre tudo,
pois o pouco que carrego,
é o todo que me cobre,
nas noites em que sinto sua partida.
a obstrução que impede minha passagem.
é a passagem de um livro,
que li, reli, e não leio faz tempo.

e a dor de escrever em tercetos,
o que merecia inúmeros sonetos,
acalenta minha fragilidade.

mas eu a li.
ali.
o suficiente, para que os versos que me recordo,
acalentem o doce sono que nunca chega.

eu a li com vontade.
ali.
no passado distante,
tão perto que posso abraçá-lo.
abraçá-la.

e era contigo, que a dor passava.
a dor de escrever em tercetos,
o que merecia inúmeros sonetos.
queria ser para sempre velho,
mesmo que eu rejuveneça.
para que os sons que eu ouvir,
toquem meus ouvidos como uma música que já ouvira.

para que a surpresa seja um deja vú,
de uma lembrança que tenho gravada.
e que as mãos que me cumprimentem,
sejam tão leves quanto as que acenam de longe.

e que tudo que eu veja,
não passe da incerteza de ter visto ontem.
e que a dúvida abrace meu corpo,
e demore a me soltar, para que eu julgue.

que o cigarro aceso, tenha o mesmo gosto do recém apagado.
e que eu sorva em meus lábios,
a saliva daquele beijo que demos,
no passado em que vivo,
e aceito como um presente.