sem saber cantar, eu canto.
e minha voz, fadada aos cantos dos quartos,
aos meios de um mundo inteiro,
derruba a si mesma num vôo breve.
sem saber escrever, eu escrevo.
e minhas palavras, sem lugar para onde correr,
se alojam nas linhas não lidas,
de textos não publicados.
sem saber ouvir, eu ouço.
e interpelo o som com meu silêncio.
e caio no sono durante trovoadas.
sem saber viver, eu vivo.
e meu corpo é análogo à passagem dos tempos.
me apego aos meus eus-líricos,
pois por dentro, eu sou produto para Chichikov.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
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